Como adaptar sua casa para cadeirantes

Veja como tornar mais fácil a vida das pessoas com deficiência sem gastar muito

Nem sempre para ter ou receber um cadeirante em casa há a necessidade de se realizar uma obra para adaptar o espaço. É importante frisar que todo espaço destinado à pessoa com deficiência deve proporcionar a ela total autonomia, ou seja, o cadeirante deve contar com todos os dispositivos necessários para que ele mesmo execute qualquer atividade sem pedir ajuda. No entanto, é possível fazer adaptações na residência para tornar a vida de quem tem mobilidade reduzida mais fácil sem precisar quebrar paredes e deixar a conta bancária no vermelho.

Além disso, com a proliferação de cadeiras de rodas mais curtas e ágeis, tudo ficou muito mais simples. Por exemplo: se a lesão que a pessoa sofreu atingiu apenas os membros inferiores, mas deixou os superiores intactos, ela poderá se adaptar facilmente a uma cadeira monobloco, que é mais curta e ágil, facilitando as manobras em espaços reduzidos. Já no caso de uma lesão alta, que comprometeu os braços, a dica é utilizar uma cadeira dobrável ou motorizada, já que a necessidade de espaço será maior e o cadeirante precisará fazer mais obras.

Confira dicas para fazer adaptações para cadeirantes

Fazer adaptações para cadeirantes não é um bicho de sete cabeças. Você não precisa gastar rios de dinheiro com obras, muito menos fazer adaptações de outro mundo para tornar a vida mais fácil para as pessoas com deficiência. Confira algumas dicas simples que podem ajudar bastante a quem tem mobilidade reduzida:

 

  • Entradas e passagens: a adaptação deve começar pelas entradas e passagens de casa, pois uma cadeiras de rodas normal pode medir até 68 centímetros de largura. Ela passa tranquilamente numa porta padrão de 70 centímetros, mas será necessário trocá-la se ela ficar em uma quina ou de frente para um corredor estreito, ou se o aparelho que o cadeirante usar for muito grande. O ideal é que ela tenha 90 centímetros para evitar problemas. Corredores largos também são essenciais também, afinal, pessoas com deficiência precisam de, no mínimo, um metro para se locomover sem se chocar com as paredes.

 

  • Rampas e nivelamento de pisos: pessoas que usam cadeiras de rodas têm dificuldades para se locomover em pisos inclinados ou em espaços com escadas. Para que isso não se torne um transtorno constante, providencie rampas e nivele o piso. No entanto, opte sempre por pisos antiderrapantes e não coloque tapetes em casa. Já, no caso das rampas, há um padrão adequado para a sua construção. Uma considerada apropriada deve ter, no máximo, 8% de inclinação. Em espaços públicos, a rampa deve oferecer ainda patamares de descanso. Há ainda a oferta de plataformas elevatórias, cadeiras elevatórias e elevadores residenciais, mas, nesse caso, o custo é alto.

 

  • Portas e janelas: elas maçanetas e puxadores especiais para o caso de a pessoa não ter braços ou mãos com atividade plena. Aconselha-se ainda a proteção metálica ou reforçada para a parte inferior das portas. Isso aumenta sua vida útil, já que pequenas colisões da cadeira são inevitáveis.

 

  • Móveis: prefira móveis de cantos arredondados para evitar ferimentos. O guarda-roupas deve ter projeto especial para facilitar o acesso a calçados e roupas. O ideal é que as portas sejam de correr, pois ocupam menos espaço e são mais práticas. É preciso pensar ainda no espaço de circulação da cadeira para a transferência da pessoa para a cama. O ideal é que ela não seja encostada na parede. Um diâmetro de 1,5 metro x 1,5 metro é o mínimo para uma cadeira de rodas girar em seu próprio eixo.

 

  • Tomadas e interruptores de luz: eles devem estar na altura adequada para o portador de deficiência alcançá-los.

 

  • Banheiro: é preciso providenciar (além do piso antiderrapante) barras de apoio para o cadeirante. No entanto, atente-se às normas 9050 da ABNT – que estabelece dimensões e resistência apropriadas – e NBR 10283 e NBR 11003, que se referem à resistência à corrosão. Elas devem ser inteiramente de aço inox, incluindo suportes e parafusos de fixação sextavados, para evitar risco de oxidação e de acidentes, e ter a empunhadura correta, não permitindo que a pessoa prenda o braço entre a alça e a parede, provocando fratura.

 

  • Cozinha: os utensílios devem ficar ao alcance do cadeirante, com pias de, no máximo, 85 centímetros, e altura livre de, no mínimo, 73 centímetros.  A bancada deve ser posicionada também no centro do cômodo para proporcionar maior praticidade. O ideal também é utilizar fogões, fornos ou cooktops elétricos, tornando o trabalho sem fogo bem mais seguro.